Priorização de dívidas: o que devo pagar primeiro?

Não tem jeito: uma hora ou outra, todo mundo passa por algum aperto. Perda de emprego, diminuição da renda, doença na família ou gastos acima dos ganhos são situações que podem levar ao endividamento. E pior: em certos momentos, as dívidas podem se acumular, multiplicando o número de boletos que chegam. 

Ninguém merece passar por um sufoco desses, mas é bom lembrar que, com calma e planejamento, tudo pode ter uma solução.  

Para ajudar você a se organizar para reconquistar sua tranquilidade financeira, preparamos essa matéria especial sobre priorização de dívidas, com muitas dicas de como se preparar para quitar as contas atrasadas e, ao mesmo tempo, garantir a segurança da família e proteger o que você já conquistou. Aproveite! 

 

Planejamento e estratégia: os maiores aliados na priorização de dívidas

Conquistar uma vida financeira saudável é uma tarefa que exige organização e estratégia, em todos os sentidos. Seja para fazer uma reserva de emergênciaou estabelecer um bom planejamento familia.Com a priorização de dívidas não é diferente. 

Ao tomar a decisão de colocar todas as dívidas na mesa, é preciso saber o que é mais importante. Pensando nisso, trazemos dicas para ajudar você a identificar os pagamentos que devem ser tirados da frente primeiro e porque eles devem ser priorizados. 

 

Passo 1: Garanta as necessidades básicas da família

A segurança e a proteção da família, assim como a nossa, devem vir em primeiro lugar. Nesse sentido, ao planejar o pagamento de dívidas, é preciso garantir as necessidades mais básicas, quitando primeiro os serviços essenciais, como água, gás e energia.  

Outras despesas que não devem ser deixadas para trás são o aluguele o condomínio, para que a família não corra o risco de perder a moradia. O mesmo vale para a alimentação: o dinheiro da feira, do mercado e da padaria precisa ser preservado.  

 

Passo 2: Preserve seu patrimônio, como a casa e o carro

Quem tem parcelas de financiamento da casa e do carro ou usou um desses bens como garantia para conseguir um empréstimo, precisa de atenção redobrada. Isso porque, durante o período de financiamento, a casa ou automóvel pertencem ao banco: estes bens só passam a ser seus depois de quitados.  

No contrato de financiamento, é necessário verificar o prazo de carência para pagamento das parcelas, ou seja, o período durante o qual o banco pode tolerar o atraso, que geralmente varia entre 30, 60 e 90 dias. Depois disso, o bem pode ser tomado e levado a leilão.  

Antes que isso aconteça, você deve tomar a iniciativa de renegociar a dívida. Explique o seu atual contexto, peça uma revisão nas taxas de juros e no valor das parcelas e veja a possibilidade de refinanciamento, ou seja, de fazer um novo contrato. Se o financiamento for prorrogado para que o valor mensal diminua, fique atento ao Custo Efetivo Total (valor total do contrato), ou seja, os juros e taxas que irá pagar.  

Se você não encontrou uma boa negociação junto à instituição financeira com a qual firmou contrato de imóvel ou automóvel, outro caminho é optar pela portabilidade de crédito, que é a transferência da dívida. Nesse caso, você pode procurar outro banco que ofereça melhores condições. 

Em último caso, se achar que não poderá arcar com a dívida até o final, é possível fazer a transferência do financiamento para outra pessoa. Nesse caso, encontre alguém que tenha interesse no seu carro ou casa e negocie o pagamento do que você já quitou (ou parte do valor) e a transferência das parcelas que faltam. Consulte antes as regras do seu banco, porque isso só é feito depois da análise de crédito do novo pagador.

 

Passo 3: Livrese das contas com taxas de juros mais caras

Depois de garantir o bem-estar da sua família, proteger seu patrimônio e tirar da frente as taxas de juros que mais corroem a sua renda, é hora de passar um novo pente fino nos demais boletos. Veja tudo o que você costuma pagar, da mensalidade escolar ao IPTU, IPVA, multas do carro, conta do celular, internet ou TV a cabo ou qualquer compra que você tenha feito numa loja física ou online. 

Lista pronta? Revise tudo para garantir que não deixou nada para trás. Então, olhe para as contas em atraso para conferir o valor da multa que irá pagar em cada uma delas. E priorize o pagamento daquelas que tiverem juros e multas maiores, privilegiando os mais antigos. 

Vale lembrar que, além da multa, cada boleto vem com um prazo para pagamento. Na descrição, você encontrará a informação sobre até quando ele pode ser pago. É o período que a empresa credora espera que você se organize e cumpra com aquele compromisso antes de tomar a medida mais drástica, como negativar seu nome junto aos órgãos de proteção ao crédito. 

 

Passo 5: Coloque em ordem os demais empréstimos e financiamentos

Os empréstimos e financiamentos, como o consignado usado para fazer uma viagem ou o financiamento contratado para finalizar uma reforma na casa, por exemplo, também devem ser analisados na hora de definir o que pagar primeiro. Olhe as taxas de juros e priorize os empréstimos com taxas mais elevadas. 

Procure a instituição credora para renegociar e, se você não tiver uma proposta que considere boa, vale pesquisar outras opções, olhando as taxas de outros bancos ou financeiras. Se conseguir uma proposta melhor, faça a portabilidade de crédito. 

 

Passo a passo para sair das dívidas

Agora que você já sabe quais são os principais pontos para levar em consideração na hora de priorizar seus débitos, é hora de saber como sair das dívidasna prática. No passo a passo a seguir, você encontra tudo o que precisa para começar sua jornada rumo à recuperação da sua saúde financeira.  

 

Organize seu orçamento

Antes de fazer qualquer renegociação, você precisa conhecer o retrato exato da sua situação. Para isso, a solução é fazer um orçamento financeiro pessoal, no qual você irá registrar cada uma de suas entradas e saídas, sem exceção: alimentação, escola das crianças, aluguel, luz, água, gás, gastos com saúde, lazer etc.  

Só assim, com tudo registrado, dá para localizar os apertos ou as folgas, descobrindo quais linhas do seu orçamento tem “comido” dinheiro demais e quais podem ser enxugadas ou até eliminadas para fechar o mês no azul. Lembre-se de que é esse dinheirinho que sobra que ajudará você a pagar suas dívidas e reconquistar o equilíbrio financeiro o mais rápido possível.  

Elaborar o orçamento é fácil, e você pode fazer isso da forma que for mais simples para você: anotações num caderno ou numa folha de papel pendurada em algum lugar da casa, uma planilha ou até um aplicativo. Para descobrir a forma que mais se adequa à sua rotina, recomendamos a leitura da matéria 5 maneiras de controlar o seu dinheiro. 

 

Abra o jogo com a família

Na hora de apertar o cinto e colocar a vida financeira em ordem, você pode contar com quem está ao seu lado para o que der e vier: sua família. Abrir o jogo com pais, filhos e cônjuges sobre as dificuldades é o caminho ideal para sair do sufoco e não precisar enfrentar tudo sozinho.  

Converse com seus familiares e, juntos, encontrem saídas criativas. Além dos custos que podem ser enxugados ou cortados, que tal fazer uma renda extraem família? Quais talentos cada um tem? Quem sabe preparar bolos, fazer pastéis ou vender coisas? Quando sair das dívidas se torna um projeto familiar, o processo fica muito mais leve e os laços saem ainda mais fortalecidos.  

 

Enxugue os custos e reveja seus hábitos

Como o orçamento atualizado e com a família reunida, você pode fazer uma revisão de todos os gastos da casa. Verifiquem os desperdícios: costumam economizar água e energia? Tem alimentos que vão para o lixo? Serviços como internet e TV a cabo estão sendo usados integralmente ou vocês podem contratar pacotes mais baratos? E quanto ao lazer? É possível fazer programas mais em conta ou até mesmo gratuitos?  

Essa também é uma boa oportunidade de rever hábitos que comprometem a saúde financeira, como usar carro com frequência, pedir delivery de comida várias vezes na semana ou ir ao shopping comprar roupa nova quando você tem o armário cheio.  

Vale sempre se perguntar: será que eu preciso mesmo disso? Não é muito mais saudável e mais barato usar mais transporte público e cozinhar com mais frequência? Questione-se.  

Em resumo, o mais importante é “usar uma lupa” para identificar gastos que podem ser enxugados ou eliminados. Até porque, quando ficamos muito tempo sem olhar para o nosso orçamento, podem existir custos que não fazem mais sentido, mas que ficaram lá esquecidos, corroendo a renda.  

Quanto mais economia você fizer com esta revisão de gastos, mais dinheiro terá para pagar as dívidas. Para facilitar esse processo, leia Economia Doméstica: 10 dicas para você economizar em casa.

 

Após negociar, pague as parcelas em dia

Mais do que priorizar suas dívidas, e negociar com os credores, é preciso pagar o que foi combinado. Se deixar de honrar os compromissos, precisará voltar todas as casas e recomeçar do zero, perdendo os benefícios da sua negociação, como as taxas de juros especiais.  

Além disso, se não pagar, talvez o seu credor não queira mais te dar uma nova chance. Nesse caso, o risco de ter seu nome negativado é bem maior. Para mais informações sobre o tema, recomendamos a leitura de Como sair das dívidas: tire todas as suas dúvidas.

E então, estas dicas ajudaram você a se organizar melhor? Agora que você já entendeu como priorizar os pagamentos, você pode consultar o seu CPFe conferir se tem alguma dívida com a gente. É rapidinho! E se decidir negociar, pode fazer tudo por lá.

 

 

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