Entenda o que são juros e a taxa Selic

Com a Selic mais alta, as linhas de crédito ficam mais caras; veja por que isso acontece.

Você já esqueceu de pagar a fatura do cartão de crédito e, no mês seguinte, levou um susto com o valor cobrado pelo atraso? Ou já viu a fatura dobrar quando parcelou o pagamento?  Isso acontece por causa dos juros cobrados quando você utiliza qualquer tipo de crédito! Mas você sabe como eles funcionam? Nesta matéria, vamos explicar o que são os juros, como eles funcionam e qual a relação deles com a taxa Selic, tão comentada no noticiário. Confira! 

 

O que são juros e como eles funcionam?

Quando pegamos um dinheiro emprestado para pagar lá na frente, existe uma taxa que é cobrada ao longo do tempo, até que todo o valor seja devolvido. Isso acontece com os empréstimos, mas não só com eles. Todos os pagamentos que você empurra para o futuro, como financiamentos e compras parceladas, são formas de crédito e, portanto, estão sujeitos a juros.  

A mesma lógica vale para as situações em que deixamos de pagar alguma conta: quanto mais tempo levamos para quitar a dívida, mais os juros correm e maior vai ficando o valor total. 

Com os investimentos, também ocorre algo parecido. Só que, nesse caso, a situação se inverte: quando fazemos uma aplicação, “emprestamos” o dinheiro para algum banco, empresa ou governo por um determinado período. Em troca, recebemos uma remuneração, ou seja, um valor ou percentual conhecido como rendimento. Ele, muitas vezes, está atrelado à taxa de juros. Isso não vale, por exemplo, para aplicações feitas em bolsa de valores. 

  

O que é a taxa Selic?

Existem diversas taxas de juros no Brasil, que são aplicadas em diferentes situações. Porém, todas elas têm alguma relação com a Selic, que é a taxa básica de juros da economia. Quando essa taxa aumenta ou diminui, todos os juros no país seguem o mesmo caminho. 

A taxa Selic foi criada em 1999, como parte de uma política monetária criada para apoiar o controle da inflação. Para manter a inflação dentro da meta, o Banco Central busca interferir na quantidade de dinheiro que está circulando: afinal, quanto mais as pessoas consomem e tomam crédito para consumir produtos e serviços,  mais os preços tendem a subir. 

Assim, para tentar diminuir o consumo e controlar o crescimento dos preços, aumenta-se a taxa Selic. E o contrário também acontece: em momentos em que é preciso aquecer a economia, a Selic é reduzida para estimular o consumo. 

 

Como os juros são definidos?

A taxa Selic é definida pelo Copom, sigla para Comitê de Política Monetária. Este comitê é formado pelo presidente e diretores do Banco Central, que se reúnem a cada 45 dias durante dois dias. Nesse encontro, é decidido se a Selic vai aumentar, diminuir ou permanecer como está.  

Para chegar a uma decisão, o Copom leva em conta diversas informações sobre a economia do Brasil e do mundo, como evolução e perspectivas, além de condições de liquidez e comportamento dos mercados. Afinal, como vimos, a Selic tem um grande impacto sobre as transações financeiras em nosso país! 

 

Evolução da taxa Selic

Com a instabilidade econômica vivida nos últimos anos no Brasil, a Selic tem passado por muitas alterações. Em meados de 2016, por exemplo, ela estava acima dos 14%. Foi sendo reduzida ao longo dos anos até chegar a 2% em agosto de 2020. Passados alguns meses, começou a subir novamente, ultrapassando a casa de dois dígitos em fevereiro de 2022 e chegando a 11,75% em março de 2022.  Você pode conferir todo o histórico da Selic e consultar a taxa atual no site do Banco Central. 

 

Como funcionam os juros do crédito

Se a Selic aumenta, os bancos tendem a aumentar a taxa de juros com que trabalham. Portanto, qualquer tipo de crédito – seja ele um parcelamento no cartão, o cheque especial ou um financiamento, entre outros -, pode ficar mais caro. A seguir, veja os impactos dos juros e do aumento da Selic em três das principais linhas de crédito disponíveis no mercado. 

 

Rotativo do cartão de crédito

Ao deixar de pagar a fatura do cartão, você está deixando de pagar uma dívida. Portanto, são cobrados juros sobre o valor devido ao longo de todo o período em que o pagamento fica pendente. A taxa de juros do cartão é uma das mais caras do mercado. Podendo ultrapassar os 900% em um ano, conforme a instituição. No site do Banco Central, você pode conferir as taxas aplicadas pelos diferentes bancos no rotativo do cartão. 

 

Limite de conta – cheque especial  

Sempre que você entra no cheque especial, está usando uma linha de crédito pré-aprovada oferecida por seu banco. Ela fica disponível para você usar quando e como quiser, pagando juros. E pagando caro! As taxas de juros do cheque especial costumam ser menores do que as do cartão de crédito, mas estão entre as mais caras. Veja no site do Banco Central as taxas de juros que os bancos aplicam neste caso

Vale, aqui, um lembrete: alguns bancos oferecem a seus clientes até 10 dias de uso do cheque especial sem a cobrança de juros. Mas é preciso ficar atento porque, se passar desse prazo, irá pagar juros sobre todo o período e não apenas pelo tempo que ultrapassar os 10 dias. 

 

Crédito consignado

O crédito consignado é uma modalidade que é descontada diretamente no contracheque, holerite ou benefício do INSS da pessoa que o contratou. Assim, como o pagamento está atrelado ao salário ou aposentadoria do devedor, o banco tem a garantia de que irá receber o dinheiro e as taxas de juros são umas das menores do mercado.  

Elas também variam de acordo com o banco e a modalidade (consignado público, privado ou do INSS). Confira as taxas para crédito pessoal consignado público, privado e INSS no site do Banco Central. 

Trazemos aqui outro lembrete importante: o consignado é barato, mas deve ser usado com cautela e planejamento. Como ele pode ser acessado muito facilmente, é também um dos produtos financeiros que mais levam ao endividamento. Dica de ouro: não contrate o crédito consignado ou qualquer outro tipo de empréstimo para outras pessoas. Se elas não pagarem, quem irá arcar com a dívida é você. 

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