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Com mais empresas endividadas, pedidos de recuperação judicial aumentam 30%

Contas apertadas e dificuldades para pagar as dívidas não são uma exclusividade das famílias brasileiras. Muitas empresas dos mais diferentes portes e setores estão em situação parecida. A taxa de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) de pessoa jurídica cresceu 0,4 ponto percentual nos últimos 12 meses, chegando a 3,6% das empresas, segundo o Banco Central (BC). Acompanhando essa alta, os pedidos de recuperação judicial também cresceram. De acordo com a Serasa Experian, o número de recuperações judiciais requeridas em abril chegou a 98, aumento de 30,7% em relação ao mês anterior e o maior desde outubro de 2013, quando os pedidos totalizaram 104. Na comparação com abril do ano passado, a alta é de 11,4%. A previsão dos analistas é que tais solicitações à Justiça, que são o último passo de uma reestruturação financeira, batam recorde este ano, superando os 874 pedidos de 2013, o maior já registrado no país. De janeiro a abril, o número de pedidos já soma 289.

Vemos um cenário de piora econômica. Acredito que 2015 terá um recorde nos pedidos de recuperação judicial. A inadimplência das empresas está em níveis similares ao pós-crise de 2008, e o índice de confiança, muito baixo. Ainda vai haver uma tempestade por aí — prevê Janser Saloman, sócio da Rosenberg Partners e especialista em reestruturação de empresas.

As previsões de uma verdadeira tempestade para as empresas baseiam-se nas projeções para a evolução dos indicadores econômicos. Com inflação em alta e juros a 13,25% ao ano — e com possibilidade de novos aumentos —, as pessoas estão consumindo menos. A redução nas vendas impede ou dificulta o pagamento de compromissos financeiros assumidos pelas empresas nos últimos anos — alguns feitos justamente para atender o aumento da demanda, quando o consumo subia.

Essa preocupação existe nas empresas de menor porte, que têm menos margem para absorver aumento de custos e sofrem com a queda nas receitas. Mas também nas grandes, já que alguns segmentos importantes, como óleo e gás e construção civil, vão passar por ajustes significativos — avalia Nicolas Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi).

Também devem sofrer setores atrelados ao consumo interno, que pode cair ainda mais com a elevação das taxas de desemprego.

Esse cenário nebuloso atingiu em cheio os negócios da Pesqueira Pioneira, de Santa Catarina, que, inicialmente, tentou colocar suas contas em ordem. Quando a situação apertava, conseguia rolar as dívidas que tinha com os bancos. Nos últimos meses, entretanto, a situação saiu do controle. O gasto com energia, segundo principal insumo da empresa, que precisa manter os pescados congelados, subiu 40% em um ano, e as as vendas caíram. E o que era para ser o melhor período do setor, a Páscoa, foi um desastre.

A combinação de alta nos custos, queda nas vendas e restrição ao crédito não deixou alternativa à empresa, que acabou pedindo recuperação judicial.

Tentamos renegociar as dívidas à exaustão, mas os bancos estão mais restritivos, e a recuperação judicial foi o nosso último recurso. Agora, esperamos ter fôlego para que o nosso negócio volte a girar novamente em bases mais rentáveis — diz Paulo Striker, presidente da empresa, que tem um faturamento em torno de R$ 90 milhões ao ano.

Roteiro semelhante é esperado em vários setores da economia nos próximos meses: um aumento da inadimplência que, segundo especialistas, resultará numa corrida por restruturações na Justiça.

O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, lembra que no primeiro trimestre o número de registros de empresas inadimplentes, ou seja, que entraram na “lista negra”, subiu 12%, acima da média histórica que é de 9,7%. Para ele, essa alta acendeu a luz amarela, o que explica a maior cautela dos bancos para conceder crédito, em especial para empresas de menor porte.

Do ponto de vista econômico, não há motivo para tomar crédito. Os juros estão elevados e a economia não está crescendo, então não tem por que investir. Assim, se uma empresa menor busca crédito, acaba sendo interpretado como um sinal de desespero — analisa

Lazar Halfon, presidente da HSA Soluções, pondera que a recuperação judicial, no entanto, só deve ser feita em último caso. Isso porque, embora seja possível negociar com todos os credores de uma só vez e conseguir um prazo para o início do pagamento, a alternativa costuma fechar completamente o acesso ao mercado de crédito bancário.

Além disso, há um custo para pagar perícia, administrador e outros gastos. O melhor é sempre tentar renegociar a dívida. Adequar as parcelas à geração de caixa da empresa — explica Halfon.

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